
Aos 61 anos, Claudemir Alberto Cardoso, conhecido no meio esportivo pelo apelido “Tisa”, consolida uma carreira multifacetada que une a experiência de ex-atleta à autoridade do apito. Federado pela Federação Paulista de Futebol (FPF), o árbitro atua hoje em diversas frentes, mediando desde competições de base (do Sub-9 ao Sub-17) até torneios municipais e interclubes em modalidades que abrangem futebol de campo, futsal, society e a bocha.
A transição dos gramados para a arbitragem ocorreu de forma familiar e acadêmica. Influenciado pela filha, profissional de Educação Física, Cardoso buscou especialização técnica através de cursos em Rio Claro e na Associação de Árbitros de Piracicaba (AAP). Essa base teórica é, segundo ele, o alicerce para lidar com um dos maiores desafios da profissão: a pressão externa e emocional durante as partidas.
Para o árbitro, a neutralidade não é uma escolha subjetiva, mas uma consequência direta da aplicação rigorosa das regras. Questionado sobre a dificuldade de apitar jogos onde figuram amigos ou conhecidos, Cardoso é enfático ao afirmar que o preparo técnico inibe o conflito.
“Para ter um bom andamento o árbitro tem que ser muito imparcial e aplicar as regras do futebol. Hoje nós temos o livro de regras que são as 17 regras. Em perfeitas condições de ser aplicadas”, explica
Essa postura foi testada em episódios críticos de sua trajetória de dez anos no apito. Claudemir relembra um caso em que a aplicação da regra foi sua única defesa diante de uma invasão de torcida: após anular um gol porque a bola entrou por um furo externo na rede, ele manteve a decisão baseada na observação técnica. Segundo o relato, a clareza da infração fez com que os próprios jogadores aceitassem a marcação, preservando sua autoridade em campo.
Com atuação expressiva em cidades como Santa Gertrudes e região, Cardoso destaca que o requisito fundamental para quem deseja ingressar na carreira é o conhecimento profundo e a certificação por cursos de arbitragem. Sua experiência recente inclui a mediação de clássicos regionais de peso, como o dérbi entre Velo Clube e Rio Claro nas categorias de base, exigindo alto nível de concentração e imparcialidade.
Fora das quatro linhas, Claudemir concilia o apito com a carreira de representante comercial e o papel de educador em escolinhas de futebol. Essa dupla jornada entre as vendas e o esporte permite que ele mantenha uma visão sistêmica do jogo, educando novos atletas sobre o respeito às normas que ele mesmo aplica nos fins de semana.







