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Fim de uma era: Orelhões devem ser retirados em Santa

Símbolos de uma era pré-celular, os telefones de uso público (TUPs), popularmente conhecidos como orelhões, estão com os dias contados em Santa Gertrudes. Após uma mudança regulatória histórica na telefonia fixa brasileira, a concessionária Vivo iniciará a retirada gradual dos aparelhos remanescentes ao longo de 2026.

Atualmente, Santa Gertrudes conta com apenas 15 orelhões declarados à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Destes, 14 estão localizados nas imediações centrais e um no bairro Jardim Santa Catarina. De 2020 até o ano passado, o número de orelhões em Santa Gertrudes caiu de 20 unidades para as 15 atuais declaradas pela Anatel.

O QUE MUDOU?

A retirada é fruto de um processo de “adaptação do regime de prestação do serviço”. Até o final de 2025, a telefonia fixa operava sob regime público (concessão), o que obrigava as empresas a manterem metas de universalização, incluindo os orelhões. Desde 1º de janeiro de 2026, o serviço passou para o regime privado (autorização).

Como não há, em Santa Gertrudes, localidades consideradas “sem alternativa de voz” (onde o celular não pega), a Anatel liberou a operadora de manter os aparelhos na cidade. “A regra agora é a não obrigatoriedade. A exceção ocorre apenas em localidades sem serviço de voz substituto, o que não é o caso de Santa Gertrudes”, informou a Anatel em nota ao portal SGon.

Segundo a agência, não há uma data fixa para a remoção: “A retirada pode ocorrer a qualquer momento, seja por decisão da prestadora ou por pedido dos usuários”.

QUEDA NO USO E NOVOS INVESTIMENTOS

A mudança no comportamento do consumidor é o principal motivo para o fim dos aparelhos. Segundo dados da Vivo, o uso de orelhões no Estado de São Paulo despencou 93% nos últimos cinco anos. Em dezembro de 2025, o estado ainda contava com 28 mil unidades, mas a maioria já operava de forma obsoleta. Em nota, a Vivo confirmou que a retirada em Santa Gertrudes e demais cidades paulistas seguirá um cronograma operacional ao longo do ano.

Em troca do fim da obrigação de manter os orelhões, a empresa assumiu o compromisso de investir na modernização da infraestrutura digital. “O novo modelo permitirá à Vivo direcionar investimentos para tecnologias mais relevantes, como a ampliação da cobertura 4G e 5G em mais de mil municípios, além da expansão da rede de fibra óptica”, destacou a operadora à reportagem.

ONDE AINDA HAVERÁ ORELHÕES?

A Vivo manterá ativos, até o final de 2028, apenas os telefones públicos em áreas remotas atendidas exclusivamente pela operadora, visando garantir que nenhuma população fique isolada, mesmo que o uso seja quase inexistente.

POSICIONAMENTOS OFICIAIS

Anatel: A agência reforça que o Termo de Autocomposição firmado com a Telefônica não prevê a manutenção obrigatória em Santa Gertrudes por haver alternativas de comunicação (celular). A Anatel também esclarece que não monitora o tráfego de ligações por terminal, mas que a redução dos aparelhos acompanha a flexibilização das metas de universalização para incentivar a banda larga.

Vivo: A empresa informa que a retirada dos aparelhos faz parte da migração para o regime de autorização (Termo nº 1/2025). O foco agora é o investimento em tecnologias 4G, 5G e fibra. A retirada seguirá critérios de segurança e conformidade regulatória.

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Edição de 29 de maio