
A chegada da Copa 2026 reacende o sentimento patriótico e transforma o cenário urbano em diversas localidades do país. Em Santa Gertrudes, a mobilização de moradores para decorar as vias públicas mantém viva uma prática que une gerações e reforça os laços comunitários através das cores verde e amarela.
DUAS DÉCADAS DE HISTÓRIA
Para a esteticista Camila Alessandra da Silva, de 38 anos, a pintura do asfalto ultrapassa o entusiasmo esportivo, trata-se de um patrimônio emocional de sua família. Natural de Santa Gertrudes, Camila relata que a prática de pintar a rua para Copa do Mundo começou em 2002 na Avenida 15, no bairro São Joaquim, idealizada por sua tia, Elza Girotto. O que era um mutirão de bairro transformou-se em um rito fixo a cada quatro anos.
“Esse evento de pintar a rua é uma tradição de família e vizinhos que se iniciou na Avenida 15 do bairro São Joaquim, em 2002, com incentivo da minha tia Elza Girotto, que era a mentora de tudo. Familiares e vizinhos se reuniam e passavam o dia pintando a rua, e comida não podia faltar, então tinha café da manhã, almoço, todos nos reuníamos e comíamos juntos enquanto pintávamos”, relembra Camila.
Após o falecimento de Elza Girotto em decorrência da Covid-19, o grupo decidiu dar continuidade ao legado, transferindo a atividade para a Rua Santa Isabel, número 532, no Jardim Maria Lígia, atual residência de outra tia da família. A ação mobilizou cerca de 60 pessoas. Os trabalhos de pintura, segundo Camila, tiveram início às 10 horas e foram concluídos por volta das 16h30.
Ao contrário das edições anteriores, onde os desenhos eram improvisados diretamente no chão, a organização da pintura para o mundial de 2026 contou com um planejamento prévio das primas de Camila, Beatriz e Bruna, que desenharam os esboços no asfalto para que os demais participantes preenchessem com tinta.
ESTREIA NO ASFALTO

Na Avenida 5, em frente ao Lago da Aspacer, a movimentação artística tomou uma dinâmica mais recente, porém fundamentada nos mesmos princípios de preservação de memória. A moradora Suellen Gallo, de 39 anos, conhecida na cidade por assinar a decoração da “Casa Iluminada de Natal”, decidiu expandir a ornamentação para o leito carroçável pela primeira vez.
Embora já decore a residência para o torneio há três edições da Copa do Mundo, a pintura no chão é uma novidade deste ano. O trabalho foi realizado por Suellen em conjunto com seu filho, Pedro Gallo, de 11 anos. A iniciativa incluiu, além dos motivos heráldicos da seleção, o desenho de uma amarelinha para uso público dos pedestres que circulam pela região central.
De acordo com Suellen, a motivação principal foi replicar para a nova geração os estímulos visuais e festivos que recebeu na infância.
“O motivo foi poder marcar toda a alegria e empolgação da Copa nos meus filhos, assim como meus avós e pais marcaram em mim. Ver meu filho pintando, rindo e brincando foi o melhor registro que pude ter”, afirma.
Para a moradora, o período do torneio representa um intervalo de neutralidade e convergência coletiva. “A Copa representa, para a nossa família, o amor à pátria. É o único momento que vejo todos juntos, sem julgamentos. A Copa é união, força e alegria”, define Suellen, que aponta a atividade artística como um processo de reencontro pessoal.







