
Olhar para os números da habitação em Santa Gertrudes hoje nos traz uma reflexão necessária sobre o futuro de nossa cidade. Recentemente, os dados do Cadastro Habitacional revelaram que mais de 1.600 famílias ainda aguardam pelo sonho da casa própria. Como ex-prefeito, compreendo os desafios de gerir uma máquina pública, mas não posso deixar de registrar que o último grande conjunto habitacional entregue em nosso município foi em 2004. De lá para cá, a cidade cresceu, as necessidades aumentaram e o setor imobiliário se valorizou, tornando o acesso à moradia popular um desafio ainda maior para o trabalhador.
A recente iniciativa da administração municipal em viabilizar 38 unidades junto à CDHU é um passo importante e demonstra que o tema voltou à pauta. No entanto, diante de um déficit que atinge quase 7% da nossa população, precisamos encarar esse projeto como o início de um esforço muito maior. Quando analisamos que apenas uma em cada 42 famílias da fila será atendida neste momento, percebemos que o município precisa acelerar o passo e buscar soluções mais robustas para que a esperança dessas pessoas não se perca em trâmites administrativos prolongados.
Recordo-me com clareza do projeto que idealizamos na área da antiga Flafer. Naquela ocasião, planejamos 384 apartamentos que poderiam ter mudado a realidade de centenas de pais e mães de família. Infelizmente, por questões que fugiram ao controle técnico e administrativo na época, o projeto foi interrompido. Hoje, vejo aquela área não como um problema do passado, mas como uma grande oportunidade para o presente. O terreno pertence ao município e o projeto é viável; o que precisamos agora é transformar esse potencial em realidade prática para quem mais precisa.
O momento pede que deixemos as divergências de lado em favor do interesse público. O requerimento do vereador Luiz Basso na Câmara Municipal acende um alerta sobre a urgência de novas construções e reforça que Santa Gertrudes possui áreas adequadas para crescer com justiça social. Habitação é o alicerce de uma sociedade digna. Quando uma família conquista sua casa, ela ganha estabilidade, segurança e a oportunidade de investir no futuro de seus filhos.
Minha aposta para o futuro de Santa Gertrudes é a de que podemos, sim, zerar ou reduzir drasticamente esse déficit. Para isso, é fundamental que a prefeitura mantenha um diálogo agressivo com o Governo do Estado e a União, buscando ampliar o número de unidades previstas. A estrutura técnica já existe e o caminho foi aberto lá atrás. Com foco, gestão e a consciência de que a moradia é uma prioridade humana, acredito que em breve não falaremos mais em “anos de espera”, mas sim em famílias celebrando a conquista de seus lares.






