Radio Cidade FM 107,9

Separando o Joio do Trigo

Joio do trigo: contra os segmentos bancário e aéreo existe uma indústria de ações caracterizadas pela chamada “litigância predatória”, ou advocacia predatória, prática abusiva que envolve o sistema judiciário - Imagem: Willian Cho/Pixabay
Joio do trigo: contra os segmentos bancário e aéreo existe uma indústria de ações caracterizadas pela chamada “litigância predatória”, ou advocacia predatória, prática abusiva que envolve o sistema judiciário – Imagem: Willian Cho/Pixabay

Que os bancos pisam muito na bola com o consumidor não é novidade. Os sistemas mostram-se vulneráveis e os golpistas causam toda ordem de prejuízos aos usuários. Os Bancos são fornecedores e respondem objetivamente: havendo a comprovação de que o dano sofrido pelo consumidor foi resultado direto da ação ou omissão do agente financeiro, não precisa comprovar culpa. Quando não há nenhuma participação direta do correntista ou vítima, a Justiça reconhece o direito do consumidor e manda o banco indenizar, materialmente (prejuízos decorrentes do golpe) e moralmente, quando há abalo psíquico e menoscabo que justificam a indenização pela ofensa.

As companhias aéreas também pisam muito na bola com atrasos, cancelamentos, perdimento de bagagem, etc.., e acabam oxigenando a indústria das ações judicias.

O que pouco se comenta é que contra os segmentos bancário e aéreo existe uma indústria de ações caracterizadas pela chamada “litigância predatória”, ou advocacia predatória, prática abusiva que envolve o sistema judiciário: ações em massa, frequentemente com petições padronizadas e sem fundamentos sólidos.

A prática prejudica a eficiência do sistema judiciário, sobrecarregando-o com processos desnecessários, além de causar prejuízos às partes envolvidas e à própria Advocacia.

Ações desse tipo geram volume e pressão, mas carecem de base legal sólida ou de provas consistentes, ficando limitadas a teses genéricas e argumentos artificiais, com pretensões de vantagens indevidas, envolvendo pessoas em situações de fragilidade e trazendo à luz enriquecimento ilícito e prática de fraudes.

Segundo informa o Valor Econômico (edição de 01.07), mais de 700 mil ações propostas contra oito bancos, entre 2022/24, foram identificadas como abusivas. Apesar de 90% dos julgamentos dessas ações terem dado vitória aos bancos, o custo dos processos chegou a R$ 800 milhões.

O mesmo “Valor” (edição de 07.07) dá conta de que a judicialização pressiona aéreas e encarece o preço final das passagens. Além dos custos operacionais, a judicialização agravou a saúde financeira das empresas. Os custos com processos saltaram de R$ 586 milhões em 2018 para R$ 1,16 bilhão em 2023. Tal salto é atribuído ao uso de estratégias de comunicação de advogados e empresas especializadas nas questões contra aéreas, pela internet ou anúncios nas proximidades dos aeroportos. A questão se tornou um oportunismo lotérico (se colar, colou) e não uma reparação legítima para aqueles casos em que a companhia aérea realmente causou um dano indenizável.

O Brasil registra uma ação contra companhias aéreas a cada 0,52 voo. Nos EUA, há um processo judicial a cada 2.585 viagens.

Assim, quando o caso é realmente caracterizador de um direito ao consumidor, porque as pisadas na bola do banco ou da companhia aérea ficaram evidentes, quem defende o “trigo” encara o sistema abarrotado de processos contendo “joio”, gerando lentidão e congestionamento, prejudicando a eficiência da justiça e, em última análise, o cidadão de bem e o seu advogado de bom senso e responsável. As partes envolvidas nas ações predatórias sofrem prejuízos financeiros, de tempo e de imagem, sem contar o grave dano à imagem da Advocacia como um todo.

Contra isso, o CNJ e a OAB estão buscando mecanismos para identificar e prevenir a litigância predatória. A legislação está sendo aprimorada.

A reflexão que cabe é sobre como encontrar um ponto de equilíbrio entre o direito do consumidor efetivamente lesado e o condenável mercado que bancas e empresas patrocinam, como verdadeira “commodity”.

Fisiculturista traz três títulos para Santa Gertrudes
Funcionário de cerâmica de Santa sofre acidente grave
Livro de projeto literário escolar reúne 50 poemas de alunos
 Edição de 19 de dezembro
Sessões da Câmara terão novo horário em 2026