
Os parlamentares da Câmara Municipal de Santa Gertrudes expressaram visões divergentes quanto aos reflexos da eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o município. Enquanto parte do legislativo local demonstra otimismo em relação à manutenção de canais de diálogo e verbas por meio de deputados eleitos, outros vereadores manifestam preocupação com a política tributária e os custos de produção para o Polo Cerâmico.
A Câmara de Santa Gertrudes é formada por nove vereadores. A composição partidária da Casa conta com o Partido Liberal (PL) detendo a maior bancada, com quatro parlamentares: Luiz Basso, Willian Bento, Marcos do Gás e Cassapinha. O Progressistas (PP) conta com duas cadeiras, ocupadas por Sivaldo da Água e Pastor Silvanio. Completam o legislativo local os vereadores Clayton do Espetinho, do Republicanos; Washington dos Vasos, do PSDB; e Palhaço Totó, do Podemos (Pode).
ESTABILIDADE

Entre os parlamentares que avaliam a continuidade da gestão federal, o vereador Marcos do Gás (PL) projetou estabilidade nas relações institucionais. “No meu ponto de vista, eu acho que não vai mudar muita coisa não. [Eu] estava com a expectativa boa de mudança, se o Flávio [Bolsonaro] viesse ganhar. Como vai manter o mesmo presidente eu acho que não vai mudar muita coisa não. No meu ponto de vista, para mim, para o nosso município permanece do mesmo jeito. O que importa é que os nossos deputados, que a gente apoiou, se elegeram e temos portas abertas para buscar recursos para o município, então tá ótimo”, afirmou.
Na mesma linha de reconhecimento do resultado do pleito, Luiz Basso (PL) pontuou que o foco deve ser o prosseguimento dos trabalhos. “No meu atendimento não muda nada. Vida que segue, vamos caminhando em frente. Não é um governo novo que vai assumir. Então não existe a expectativa, como é que vai ser ou não. O governo já é o governo existente que está terminando com os quatro anos e vai dar sequência nessa administração. Reconhecemos a vitória do Lula nas urnas, embora o município aqui a maioria dos eleitores votaram pelo Flávio Bolsonaro, mas no geral no Brasil tem que reconhecer a vitória do Lula e vida que segue”, declarou.
PREOCUPAÇÃO
A preocupação com o ambiente econômico nacional foi destacada por Willian Bento (PL), que enfatizou a importância de medidas voltadas ao setor produtivo. A expectativa do vereador é que seja “um mandato que possa melhorar a questão econômica do país, com redução da inflação, dos juros e dos preços de itens de consumo, além de ações que reflitam na indústria e favoreçam a geração de empregos, principalmente no Polo Cerâmico, contribuindo para o desenvolvimento de Santa Gertrudes”.
Com olhar voltado às demandas do setor industrial, Clayton do Espetinho (Republicanos) manifestou apreensão com os impactos locais. “A reeleição do presidente Lula pode, sim, trazer reflexos para Santa Gertrudes, e uma desmotivação para quem investe no setor cerâmico, principalmente por sermos um dos principais polos cerâmicos das Américas e termos uma economia fortemente ligada à indústria. Em conversas com alguns empresários do município, percebo uma preocupação com a carga tributária, o custo elevado do gás natural e a falta de medidas que fortaleçam a competitividade da nossa indústria. Independentemente de partido, Santa Gertrudes precisa ser respeitada e valorizada. Nosso polo cerâmico gera empregos, renda e desenvolvimento para toda a região. O que esperamos é um governo que reconheça essa importância, reduza os obstáculos para quem produz e trabalhe efetivamente pelo crescimento do nosso município”, apontou.
O vereador Washington dos Vasos (PSDB) avaliou que os efeitos da eleição ainda dependem do andamento das medidas federais. “Para Santa Gertrudes é muito cedo para você falar. Eu creio que vai continuar do jeito que está, vai andar. A gente vai continuar trabalhando. A perspectiva era de uma nova [administração]. Mas eu creio que vamos ter que trabalhar. [A expectativa com a vitória de Flávio] era um pouco mais de incentivo nos impostos para a indústria e empresas”, avaliou.
CRÍTICO
Por sua vez, o vereador Palhaço Totó (Pode) apresentou tom crítico em relação às diretrizes econômicas da administração federal. “Eu sou contra. Eu não considero [Lula presidente]. O papai [Lula] já cortou o gás, já cortou um monte de coisa. As coisas vão piorar mais ainda. Agora já pensou quando ele tomar posse, aí você vai ver o grosso entrar, como ele mesmo falou. Piorar, não para Santa Gertrudes, mas em geral, principalmente para os empresários e os pequenos empresários que vai engasgar mais com imposto sobre imposto. Como [o povo] vai aguentar? Eles estão fechando as lojas, não estão aguentando de tantos impostos”, declarou.
NÃO PARTICIPARAM

A reportagem não conseguiu contato com o vereador Pastor Silvanio (PL) até o fechamento da matéria. Já Cassapinha (PL) preferiu não responder ao questionamento do jornal A Cidade. Por motivos de doença na família, o parlamentar Sivaldo da Água (PP) não conseguiu se manifestar antes do fechamento da edição.
CENÁRIO
A apuração das urnas do segundo turno das eleições presidenciais em Santa Gertrudes confirmou a vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no âmbito local. O candidato obteve 10.116 votos válidos no município, o que representa 66,40% da preferência do eleitorado santa-gertrudense, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou 5.119 votos, alcançando 33,60% dos votos válidos na cidade.
Apesar da liderança mantida por Flávio Bolsonaro, a comparação entre as duas etapas do pleito aponta que Lula obteve um crescimento nominal e proporcional superior no município. No primeiro turno, o candidato do PL havia liderado a votação em Santa Gertrudes com 9.526 votos (65,07% dos válidos), avançando 1,33 ponto percentual no segundo turno e somando 590 votos diretos a mais.
Já o candidato do PT havia computado 4.029 votos no primeiro turno (27,52% dos válidos). Na etapa final, Lula ampliou sua votação em 1.090 votos diretos no município, representando um salto de 6,08 pontos percentuais sobre o total de votos válidos apurados na cidade.







