
A paixão pelas figurinhas da Copa do Mundo, iniciada de forma despretensiosa em 2010 nos tempos de escola, transformou-se em um modelo de negócio para José Teixeira do Amaral Neto, de 26 anos. O jovem santa-gertrudense, que mantém o hábito de completar os álbuns ao lado da mãe desde a adolescência, decidiu profissionalizar sua dedicação ao colecionismo a partir de 2022, unindo o hobby à praticidade comercial.
O diferencial do serviço oferecido por Neto reside na personalização da compra. Ao contrário dos pacotes lacrados vendidos em bancas, onde o colecionador depende da sorte, o jovem permite que os clientes escolham exatamente as figurinhas que lhes faltam. Pelo serviço, ele cobra uma taxa de R$ 0,20 adicionais por cromo em relação ao preço oficial de banca. Segundo o empreendedor, a estratégia visa a economia do consumidor final, que evita o gasto excessivo com unidades repetidas ao tentar completar a coleção de forma aleatória.
Para sustentar o estoque e atender à demanda, que ele descreve como “gigantesca”, Neto já manipulou cerca de 30 mil figurinhas, o equivalente a mais de 4 mil pacotes abertos. O atendimento ocorre tanto em eventos de troca em cidades da região quanto em sua própria residência. A operação já rendeu a entrega de quatro álbuns completos e o auxílio direto a dezenas de colecionadores que buscam craques internacionais como Messi, Cristiano Ronaldo e Mbappé, além de ídolos do futebol nacional, como Memphis Depay, Gustavo Gómez e Arrascaeta.
O FUSCA “HERBIE”

Uma das estratégias de marketing mais eficazes do colecionador é o uso de seu Volkswagen Fusca, batizado de “Herbie”. Na família há duas décadas, o veículo foi adesivado com a temática da Copa do Mundo para atrair o público infantil e gerar conteúdo para redes sociais, como o TikTok. O carro tornou-se uma identidade visual móvel: onde o veículo circula, Neto é identificado como o “homem das figurinhas”.
Apesar da forte identificação com Santa Gertrudes, Neto observa um comportamento peculiar no mercado local. Segundo ele, as tentativas de organizar encontros de trocas em bancas da cidade enfrentaram falta de engajamento da comunidade. Isso faz com que cidades vizinhas, como Rio Claro, Cordeiro e Limeira, tornem-se os principais polos de sua atividade, onde, curiosamente, ele acaba reencontrando os próprios moradores de sua cidade natal.
“Para mim, que mexo com 30 mil figurinhas, é normal ver um craque ou uma rara. Mas para uma criança, é um acontecimento. É gratificante estar presente nesse momento”, afirma Neto.
O empreendedor mantém um controle rigoroso de estoque, anotando as necessidades constantes para garantir que nenhuma figurinha falte aos clientes. Para ele, o negócio vai além do lucro, conectando a eficiência logística com o aspecto emocional de um hobby que atravessa gerações.






