
O medo de ser vítima de um golpe digital ultrapassou o receio de crimes violentos nas ruas e tornou-se a principal preocupação dos brasileiros. De acordo com o relatório “Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança”, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Datafolha, 83,2% da população afirmam temer fraudes financeiras via internet ou celular. O índice está tecnicamente empatado com o receio de roubo à mão armada (82,3%) e com o medo de ser morto durante um assalto (80,7%).
O avanço desse tipo de criminalidade reflete-se diretamente no cotidiano das cidades brasileiras, inclusive nos municípios do interior. Em Santa Gertrudes, a procura por assistência e suporte técnico para celulares tornou-se diária devido a invasões e movimentações financeiras indevidas. O percurso das vítimas costuma começar na delegacia de polícia com o registro do Boletim de Ocorrência (BO) e prosseguir em estabelecimentos de assistência para a análise e limpeza dos aparelhos.
A frequência dessas ocorrências tem movimentado o comércio local de suporte técnico. Renan Cordeiro, proprietário da Banca RR – estabelecimento que presta serviços de varredura e orientação na cidade -, confirma o fluxo constante de pessoas lesadas. “Todas as pessoas que vêm na banca é porque perderam dinheiro. As pessoas vão fazer BO na delegacia e depois já vêm na banca para fazermos uma varredura no celular. Tem dia que chegam umas cinco pessoas, mas todo dia tem”, relata Cordeiro, ressaltando que orientações e resoluções simples são feitas sem cobrança, aplicando custos apenas em procedimentos de maior complexidade.

Dentre as táticas mais frequentes registradas, segundo o técnico, estão o roubo de códigos de verificação por telefone, falsas intimações judiciais, abordagens utilizando o nome de advogados e mensagens via WhatsApp nas quais criminosos se passam por familiares. Em diversos episódios, além de obterem transferências diretas, os golpistas contratam empréstimos em nome dos titulares. Cordeiro destaca que os prejuízos chegam a valores expressivos: “De R$ 5 mil a R$ 10 mil são os casos mais simples. Mas teve caso de R$ 150 mil, mais de um. O perfil das vítimas abrange a faixa etária dos 35 anos em diante, independentemente da classe social, sem contar os casos de pessoas que sentem vergonha de procurar as autoridades”, diz.
TIPOS MAIS COMUNS
O cenário verificado regionalmente acompanha as estatísticas nacionais consolidadas do setor financeiro. O especialista em tecnologia Marcel Figueiredo explica que as abordagens mais comuns envolvem ofertas enganosas, chamadas telefônicas que simulam centrais de atendimento e personificação de parentes nas redes sociais. “Falsa venda, falso banco e pedido de dinheiro pelo WhatsApp foram os três golpes mais relatados aos bancos associados à Febraban no primeiro semestre de 2025. Os criminosos fingem ser alguém conhecido e pedem dinheiro com urgência. A orientação é simples: não pague nem transfira valores antes de conferir a veracidade da informação”, alerta.
Diante da proliferação dessas fraudes, especialistas e autoridades recomendam cautela redobrada antes de realizar transferências via Pix ou qualquer tipo de pagamento. Caso haja suspeita ou confirmação de transação fraudulenta, a orientação é entrar em contato imediatamente com a instituição financeira para tentar o bloqueio do montante, formalizar a ocorrência na Polícia Civil e buscar suporte técnico especializado para garantir a segurança dos dispositivos afetados.
Dez cuidados para não cair em golpes
- Não pague com pressa. Confira primeiro.
- Não abra links de desconhecidos.
- Não dê sua senha nem códigos do celular a ninguém.
- Filho ou neto pediu dinheiro? Ligue para o número conhecido antes de mandar.
- Antes do Pix, confira o nome de quem vai receber e o valor.
- Ligou dizendo ser do banco? Mesmo sabendo seu nome, CPF e saldo, não dê senhas nem faça pagamentos. Desligue. Use outro telefone para ligar ao número atrás do cartão ou vá à agência.
- Não instale nada nem mostre a tela do celular a pedido de quem ligou.
- Não pague para receber prêmio. É golpe.
- Não faça Pix para “proteger” seu dinheiro. É golpe.
- Na dúvida, não pague. Peça ajuda a alguém de confiança.







