Por Willian Nagib Filho*

Luciana Garbin escreve aos sábados para o “Estadão”. Nesta semana trouxe dados positivos impressionantes sobre a participação e responsabilidades das mulheres no contexto familiar.
Parte de 4 questionamentos básicos: minha família conta comigo para garantir as contas pagas?; quando há decisão importante, todos esperam a minha opinião final?; sem mim, dificilmente a família se reuniria?; sou eu quem mantém o clima emocional equilibrado em casa?
É que 1500 brasileiros com mais de 18 anos espalhados pelo país responderam a esses questionamentos na pesquisa “Mulheres nos Lares Brasileiros”, do Instituto Locomotiva e do QuestionPro! O primeiro é empresa especializada em pesquisas de mercado, estratégia e inteligência, com foco em mercados emergentes e na nova classe média; o o segundo é plataforma de criação, distribuição e análise de pesquisas online, enquetes, formulários e questionários.
Então 65% das mulheres afirmaram que a família depende delas para garantir as contas pagas no mês. 66% que a palavra final é delas quando há uma decisão importante. 68% que respondem pelo “clima emocional saudável” e equilibrado em casa. 51% que sem elas a família não se reuniria! 81% dos entrevistados afirmaram que as mulheres executam mais do que os homens as tarefas de casa e de cuidado da família e filhos.
Aí está a prova cabal da jornada múltipla suportada pelas mulheres, o que resulta em cansaço e falta de tempo para si mesmas, numa dinâmica de sobrecarga que é pouco valorizada pela sociedade em geral ou quase nem sequer reconhecida.
Neste momento em que se festejam Mês e Dia da Mulher, pouco há para se comemorar. Não obstante o papel de destaque retratado nessa importante pesquisa, outros números entristecem o festejado 8 de março!
Em 2025 houve recordes de feminicídios, com 1568 vítimas, 1 a cada 17 horas, 4,7% a mais do que em 2024, sendo 65% dos casos ocorridos dentro de casa, muitas vezes por parceiros íntimos ou ex parceiros: quase 15% delas tinham medidas protetivas no momento do crime.
Casos de violência doméstica já são quase 100 mil em janeiro de 2026; em 2025 foram 1,2 milhões de registros.
Por conta desse triste cenário e porque a sociedade não pode dormir com esse barulho todo, é que algumas iniciativas são louváveis: nesta semana de 9 a 13 de março, os tribunais irão intensificar a realização de audiências, julgamentos e análises de medidas protetivas de urgência.
Mais do que isso: ações educativas e de conscientização permanentes, além de punição exemplar (dentro dos contornos da Lei Maria da Penha especialmente, aos autores de todas as formas de violência moral, física, psíquica e patrimonial contra as mulheres), são mecanismos factíveis para encorajar as mulheres na permanência e incremento dessa rotina – quase insana – de trabalho cumulada com cuidados à família, tão fundamentais para a manutenção da VIDA. Ode às Mulheres!
*O autor é advogado







