
O acidente de trabalho ocorrido no último mês de 2025, no dia 22, em uma unidade fabril de Santa Gertrudes, trouxe novamente à tona a discussão sobre a segurança ocupacional no maior polo cerâmico das Américas. Na ocasião, um trabalhador sofreu ferimentos severos no braço, exigindo uma operação complexa de resgate que mobilizou o SAMU e o helicóptero Águia da Polícia Militar, conforme noticiado pelo portal SGon.
Este episódio não é um fato isolado. De acordo com dados do Sinan Net do Ministério da Saúde e repassados à reportagem por Paulo Roberto Coelho Filho, Chefe da Vigilância em Saúde do Trabalhador do Cerest Regional de Rio Claro, o município registrou 1.741 acidentes de trabalho entre 2023 e 2025.
O levantamento revela que os números absolutos em Santa Gertrudes apresentam um crescimento anual constante. Conforme Paulo Roberto, 2023 registrou 522 acidentes, enquanto 2024 o número subiu para 586 registros. Já 2025, o ano fechou com 633 casos. Um aumento no acumulado de 21% no número de ocorrências
Além dos dados da Saúde, indicadores do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho e do INSS reforçam a gravidade do cenário. Enquanto os dados do Cerest (Sinan) focam no atendimento clínico, as notificações previdenciárias do Observatório detalham o custo e a gravidade dos casos para o setor formal. Santa Gertrudes apresenta uma alta taxa de concessão de benefícios B91, o que indica que os acidentes de trabalho não são apenas rápidos (como um corte simples), mas geram incapacidade temporária prolongada (afastamentos superiores a 15 dias).
PERFIL
O perfil identificado pelo Cerest coincide com o perfil de muitos acidentes graves reportados na região: pessoas do sexo masculino, na faixa etária de 21 a 30 anos (37%) e de 31 a 40 anos (24%).
Embora o setor cerâmico seja o mais visado devido ao porte das operações, as ocorrências se espalham por ramos como limpeza industrial, indústria e comércio de embalagens, destinação de resíduos, administração pública e supermercados. A maioria das ocorrências (84%) são acidentes típicos, causados por impactos por objetos e quedas; contato direto com máquinas e equipamentos; penetração de corpos estranhos (olhos e pele) e objetos cortantes.
PREVENÇÃO
Para o CEREST, o acidente recente reforça a urgência de que as empresas adotem o gerenciamento rigoroso de riscos ambientais e atendam às Normas Regulamentadoras (NRs).
“Além de promover treinamentos e dar ciência ao trabalhador dos riscos aos quais ele pode estar exposto”, pontua Paulo Roberto.







